14 de julho de 2017

Protocolo Auto-imune - os erros mais comuns

Quando iniciamos uma mudança nas nossas vidas, é frequente cometermos alguns erros e com isso atrasamos os nossos objectivos. No protocolo auto-imune as coisas não são diferentes e é comum deixarmo-nos levar por rotinas ou hábitos, que involuntariamente acabam por não nos ser benéficas.
Deixamos aqui os erros mais comuns de quem inicia o protocolo paleo auto-imune

Começar a pouco e pouco


Todos conhecemos a dificuldade de uma dieta restritiva. Mesmo que já conheça e pratique a paleo há algum tempo, a transição para o protocolo pode ser uma passagem um tanto ou quanto assustadora. Quando falamos de protocolo, estamos a falar de reverter ou curar doenças auto-imunes, ou no mínimo, devolver a qualidade de vida de forma a que consiga levar uma vida "normal". Em paleo, recomenda-se com alguma regularidade, fazer uma transição gradual. Mas com o protocolo, para obter os melhores resultados, uma transição gradual talvez não seja a melhor solução. Isto porque ao fazê-lo, vai demorar mais tempo a largar velhos hábitos e nunca mais se livra do "só hoje!" O ideal é estudar bem o protocolo e escolher um dia para começar com os dois pés. 

Deixar toda a medicação

Quando se começa a ler sobre o protocolo, vemos muitos relatos de pessoas que deixaram toda a medicação. Não nos podemos esquecer que, o protocolo promove efeitos mais ou menos rápidos dependendo de diversos factores: da condição da inflamação, do estado da doença, do tipo de alimentação que praticava, dos restantes hábitos de saúde, etc. Mas, e apesar de ser uma abordagem perfeitamente natural para combater situações crónicas, se estiver a tomar medicação para a sua condição de saúde, não deve retirá-la por sua iniciativa. Imponha-se a mudança alimentar e os resultados aparecerão. Confie no processo e discuta sempre as mudanças de medicação com o seu médico assistente.

Não levar o protocolo a 100%

Quando se adere à paleo, fala-se muito sobre o perfeccionismo paleo. Uns encaram a mudança de hábitos alimentares de forma radical, mas é frequente ler ou ouvir que, ao seguir a regra 80/20, já estará a fazer mudanças significativas na sua vida, sem entrar em extremismos. O que significa a regra 80/20? Significa que, se estiver a cumprir durante 80% do tempo, pode quebrá-las quando necessário. Claro que, havendo saúde e se o objectivo for o de perder peso, isto até pode resultar. Mas se houver doença auto-imune, o caso muda de figura. Nestes casos, TEMOS MESMO que a seguir a 100%. É preciso que entendam que estamos a tratar de reverter condições de saúde, e na maior parte dos casos, é possível eliminar toda a medicação química. Estamos literalmente a transformar os nossos genes. Imagine um casamento com apenas 80% de compromisso. Não resulta, pois não? Então, é preciso investir a 100% na nossa saúde, pois só assim obteremos os resultados pretendidos.

Focar-se demais nos alimentos eliminados

Uma das expressões que mais se ouve quando se fala no protocolo, é logo o: "mas se não posso comer isto ou aquilo, não como nada!"Esta é uma regra geral em todas as dietas de eliminação. Quando se abstém de comer certos alimentos ou grupos de alimentos, considere que pode substituí-los. Neste caso, elimina alimentos que lhe são nocivos e substitui-os por alimentos bons para si. 
Nesta mudança, convém focar-se em alimentos nutricionalmente mais ricos, como miudezas, carne e peixe de boas origens, vegetais e frutas de qualidade. Embora estas opções já fizessem parte das suas escolhas diárias (ao praticar paleo), estes critérios são para serem levados ainda mais a sério. As miudezas podem ser consumidas diariamente com óptimos resultados de saúde, e a maioria das pessoas pode dar-se ao luxo de adicionar diariamente algumas doses extra de vegetais não amiláceos. Pense nisso desta forma: se retira os alimentos inflamatórios, é preciso adicionar alimentos anti-inflamatórios. Dentro das escolhas alimentares, é tão importante o que não comer, como o que DEVE comer. A cura não acontecerá enquanto o corpo estiver com falta de nutrientes - o que é uma das maiores causas de auto-imunidade - e apenas evitar alimentos inflamatórios não está a dar ao corpo mais nutrientes. O protocolo é realmente sobre concentrar-se em comer muitos alimentos ricos em nutrientes e em diversas qualidades.

Focar-se no aporte calórico


Muitas pessoas que adoptam o estilo de vida paleo como uma forma de perder peso. Mas se tiver que optar pelo protocolo, é melhor relegar esse objectivo para segundo plano. Durante o seu processo de cura ou recuperação, o seu corpo não será tão eficiente como poderia ser, se você não estiver com os níveis de energia adequados. Preste mais atenção aos macronutrientes - proteínas, gorduras e hidratos de carbono - e certifique-se de que não estará a exigir demais de si e do seu corpo. Saltar refeições, não ingerir proteína suficiente e exercitar-se demasiado, resultam num déficit calórico. O que nesta situação nem sempre é o mais adequado pois o seu corpo nesta fase, precisa de toda a energia possível. Muitas pessoas relatam perda de peso inesperada e/ou involuntária, ou lutam para recuperar o peso que perderam durante o processo. Não apresentará nenhum problema se, enquanto durar a perda de peso e se sentir bem. Mas se com isso sentir dores de cabeça, náuseas ou tonturas, pode significar que esteja a consumir menos do que aquilo que o seu corpo necessita.

Ignorar a importância da saúde intestinal

De certeza que já ouviu falar que "toda as doenças começam no intestino". Ao seguir o protocolo auto-imune, esta expressão ainda faz mais sentido. Uma alimentação paleo é geralmente uma boa forma de começar, mas a sua alimentação no protocolo deve incluir abundantes alimentos curativos intestinais. Os alimentos probióticos, como kefir, chucrute, iogurte de leite de coco e suplementos probióticos, devem compor diariamente os seus pratos. A remoção de alimentos que contribuem para problemas intestinais e a adição de alimentos que melhorem as suas condições, acabará por levar a um sistema imunológico regulado e equilibrado. Todos podem dar-se ao luxo de melhorar a sua flora intestinal usando fontes de alimentos de verdade. 

O nosso sistema imunológico permanecerá hiperactivo se for continuamente estimulado por intolerâncias alimentares. No entanto, há outro lado dessa equação, e esse é o poder de cura de alimentos nutritivos. Precisamos de uma nutrição rica e diversificada para que nossos corpos se reconstruam ao nível celular. Existem alimentos específicos que ajudam neste processo: carnes de órgãos, frutos do mar, caldo de osso, gorduras saudáveis e muitos legumes frescos e fruta. Com uma dieta de peito de frango e sobremesas modificadas não vai chegar lá. 

Não programar as refeições


Se em paleo normal, é fácil e rápido "montar" uma refeição, o mesmo não acontece em protocolo. A preparação é a chave para o sucesso enquanto segue qualquer mudança alimentar, mas é de extrema importância quando existem novas limitações. É preciso programar as refeições e ter sempre algo pronto, sobretudo para os dias em que há menos vontade ou tempo de cozinhar. Há coisas que deve ter sempre no frigorífico ou congelador, tais como sopa, carne, caldo de ossos, refeições já preparadas de peixe e carne. Se precisar de dicas, pode ver aqui.

Negligenciar o sabor da comida

Um dos aspectos mais restritivos do protocolo auto-imune é restrição no consumo das especiarias. É preciso recorrer à criatividade, usando gengibre, açafrão, canela ou outras ervas que encontrar. O segredo é mesmo a informação. Quanto mais informado estiver, maior liberdade sentirá ao confeccionar as suas refeições. Adoptar uma atitude negativa quanto à comida e aos temperos que não pode usar, não lhe vai adiantar de nada. Porque não aproveitar a mudança, e tentar novas receitas? De certeza que terá agradáveis surpresas, se estiver disposto a isso.

Descurar outros aspectos da vida quotidiana

A dieta é um componente crucial na cura, mas não é a única. Por exemplo, sabia que a privação do sono influencia os genes inflamatórios no seu corpo, perturba o seu sistema imunológico e desregula o seu sistema hormonal? 8 horas por noite é o mínimo que precisamos, mas o ideal seria entre 9 a 10 horas. O sono precisa ser consistente, para que o seu corpo possa regenerar-se. 


No caminho de uma mudança de estilo de vida séria e permanente, o stress é outro factor que simplesmente não pode ser descurado. Pense nas situações que lhe provocam stress e na forma como se sente com isso. Nós tendemos a pensar que as áreas stressantes na nossa vida estão fora de controle, mas muitas vezes temos mais poder do que estamos dispostos a admitir. A negatividade pode-se cultivar tanto nas reações emocionais como físicas, o que pode levar a retrocessos no seu processo de cura. Exercícios de yoga, apanhar luz solar, praticar exercícios de baixo impacto como andar e meditação são formas fáceis de incorporar mais relaxamento no seu dia a dia para a cura mais efectiva.

Embora a sua dieta possa ser perfeita, as pequenas coisas da vida quotidiana podem prejudicar ou atrasar os seus esforços. 

Pressa na reintrodução dos alimentos eliminados

O protocolo auto-imune não é fácil de fazer. É restritivo e demorado. A coisa mais importante a lembrar, é ser paciente durante o processo de cicatrização. O protocolo auto-imune não pode ser acelerado. Um dos erros mais comuns que as pessoas cometem é reintroduzirem os alimentos demasiado cedo, simplesmente porque se sentem melhor. O que pode acontecer nesses casos é que apesar de se sentir bem, podia sentir-se ainda melhor e estará a abrir caminho para um novo surto mais cedo. Muitas pessoas caem no erro de, ao reintroduzirem um determinado alimento e não terem tido reações adversas no primeiro momento, significa que o seu corpo o aceita. Pode não ser assim. O facto de ter adoptado uma alimentação limpa nos últimos tempos, deixa o seu corpo mais preparado para alguma reação mais adversa que determinado alimento possa provocar. Mas não significa que ao fim de algum tempo, que o seu corpo não dê sinal e volte o mal-estar e o desconforto. 

Fala-se numa reintrodução ao fim de 30 dias. Ela pode acontecer após 30 dias! Ainda assim, só porque funciona para algumas pessoas, não significa que funcione consigo. Leve as coisas com calma e leve a reintrodução muito a sério. Se não sabe como proceder, veja aqui.

Isolar-se

Alguns de nós têm a sorte de ter pessoas nas nossas vidas que apoiam completamente a nossa jornada de cura. O mesmo vale para os amigos. Não inicie este processo sozinho. Apesar de poder ter o apoio da família e amigos, é essencial ter um grupo de suporte com pessoas que têm os mesmos sintomas e sentem as mesmas limitações. Cada vez existe mais literatura sobre o protocolo e mais grupos de apoio nas redes sociais. A maioria é estrangeira, mas também existem em português. Se quiser saber mais sobre o grupos de protocolo auto-imune, veja aqui.

Se quiser saber mais sobre o protocolo, consulte os artigos do blog.



Sem comentários:

Enviar um comentário